domingo, 17 de agosto de 2008

FAMÍLIA DÓ-RÉ-MI

DIONNE WARWICK
15 de Agosto de 2008
Via Funchal (SP)


Dionne Warwick, uma das divas da canção norte-americana, está novamente no Brasil. Seus shows continuam atraindo bom público, como se viu na noite de sábado, 16 de agosto, na Via Funchal, em São Paulo. No repertório, predominantemente obras-primas do maestro, arranjador e compositor Burt Bacharach (que a descobriu e a transformou em estrela) em parceria com o letrista Hal David. Até aí, tudo bem. Mas a coisa pecou na execução. Aos 67 anos, Dionne adapta constantemente o tom das canções para sua condição vocal de momento. Continua com voz belíssima, e cada vez mais grave. Mas falta vida às interpretações. Ela está cantando visivelmente com o piloto automático ligado. Quem já viu algum de seus shows, nota que o medley que faz com canções de Bacharach & David é sempre o mesmo (ela canta também números isolados da dupla). No show atual, Dionne Warwick & Family, ela oficializa de vez as presenças do filho, David Elliott, e da neta, Cheyenne, que já a acompanharam em temporadas anteriores.

David abriu o show cantando quatro canções de seu repertório, acompanhado por play back. Mais fake, impossível. Pior: quatro temas de rhythm'n'blues modernoso, verdadeiras babas cheias de 'yeahsss', e 'whowsss'. Cheyenne participou fazendo um dueto com a avó e cantando sozinha, também com play back, Put Your Records On, hit bobinho da enfadonha Corinne BAiley Rae. A menina, de treze anos, é uma cantora comum, dessas que existem aos montes nos karaokês da vida. Ou seja, as participações dos outros membros do clá Warwick só atrapalharam e quebraram o ritmo do show.

Outro ponto: Dionne estava visivelmente mal humorada. Interrompeu a canção Heartbreaker para exigir que uma perua na platéia parasse de filmar com seu indefectível celular, praga que se dissemina em shows e que gera vídeos de horrenda qualidade, que por sua vez infestam o YouTube. Até aí, a estrela estava certíssima. Em outro ponto, na hora de apresentar os músicos, deu uma bronca na platéia por achar a recepção fria. Quanto ao repertório, Bacharach & David em profusão, com Walk On By, Do You Know The Way To San Jose, You'll Never Get To Heaven, Anyone Who Had a Heart, Message To Michael, This Guy's In Love With You, I'll Never Fall In Love Again, Alfie, I Say a Little Prayer (numa versão modernosa em dueto com David) e Do You Know The Way To San Jose (em levada de salsa, do modo como regravou com a saudosa Celia Cruz), e também I'll Never Love This Way Again (do disco Dionne, que a recolocou no topo do hit parade americano em 1979, produzido por Barry Manilow), um medley com clássicos da Bossa Nova e, fechando a noite, That's What Friends Are For (de Burt Bacharach e Carole Bayer Sager). Seleção musical dez - apesar de algumas adaptações de gosto duvidoso -, empolgação dois, satisfação um e meio. Dionne Warwick ficou devendo. Provavelmente volta em 2009, mas de preferência é bom que deixe a família em casa...

3 comentários:

Anônimo disse...

O TEXTO AQUI APRESENTADO POSSUI RIQUEZA DE INFORMAÇÕES E DE DETALHES A RESPEITO DA DIVA DIONNE WARWICK. PECA, NO ENTANTO, EM RELAÇÃO A ALGUMAS IDÉIAS PRÉ-CONCEBIDAS, DECORRENTES DO ENSEJO POLÊMICO PRÓPRIO DOS JORNALISTAS E APENAS DO SABER ENCICLOPÉDICO A RESPEITO DA CARREIRA DE MISS WARWICK. QUEM A CONHECE E A ACOMPANHA, DESDE HÁ MUITO, SABE QUE SE TRATA DE UMA DISTINTA INTÉRPRETE QUE SEMPRE EMOCIONA A TODOS AQUELES QUE COMPARECEM EM SUAS APRESENTAÇÕES E QUE ELA É CERCADA DE EXCELENTES MÚSICOS, A EXEMPLO DA REGENTE, APRESENTANDO ÓTIMOS ARANJOS E ÓTIMA QUALIDADE INSTRUMENTAL. SÃO, ENFIM, 46 ANOS DE HISTÓRIA DESSA MAGNÍFICA CANTORA, DE VOZ, AUTENTICIDADE E SIMPLICIDADE INCOMPARÁVEIS.

AO SE REFERIR A CHEYENNE, NETA DE DIONNE, O SUJEITO PARECE HAVER-SE ESQUECIDO DE QUE É UMA GAROTA DE APENAS 13 ANOS, E APENAS NO INÍCIO DE SUA CARREIRA. COMENTÁRIOS IMPIEDOSOS!

QUANTO À SÁTIRA BARATA DO TÍTULO DA MATÉRIA, DISPENSO COMENTÁRIOS.

Toninho Spessoto disse...

Por partes:

1 - Não trabalho com idéias pré-concebidas. Sou PROFUNDO CONHECEDOR de Música, e principalmente de tudo o que se refere ao universo de Mr. Burt Bacharach, incluída aí Mrs. Warwick, a quem tive o privilégio de entrevistar diversas vezes. Ela é, de fato, extremamente gentil. Quando quer, é bom que se diga. Não sei se você assistiu o show em São Paulo. Se assistiu, certamente foi com o olhar babão e absolutamente comprometido de tiete. Tiere é cego, não enxerga um palmo adiante do nariz. Incensa qualquer bobagem ou deslize que seu ídolo comete.

2 - Realmente a voz de Dionne é incomparável. Se você se der ao trabalho, procure, algumas postagens após o comentário do show, crítica que fiz da reedição do DVD do concerto de Dionne no Syracuse Jazz Festival. Ali sim estava a verdadeira Dionne, apesar da presença de David Elliott. Mas no DVD ele não compromete. Até então, a mãe não havia dado tanta corda assim ao rebento.

3 - Justamente por ter treze anos e ser neta de quem é, Cheyenne deveria cantar coisa melhor. Não precisava recorrer a uma baba pop surrada. Que tal uma canção de Burt Bacharach lançada pela avó? Ou algo inédito? Ela preferiu ir pelo caminho mais fácil. E, a exemplo do pai, foi acompanhada por playback, algo que certamente os tietes babões não perceberam. Gastaram um bom dinheiro para ouvir música pré-gravada...

3 - Pouco se me dá se você dispensa comentários sobre o título da matéria ou não. Opinião é opinião, e ponto final. Cada um com a sua.

4 - Você me chama de 'tal sujeito'. Tenho NOME e SOBRENOME, além de enorme conceito no mercado musical. Já você, se esconde atrás do anonimato, recurso típico dos covardes e sem personalidade. Lamentável...

Era o que tinha a dizer.

Anônimo disse...

Ah, Toninho! Vc é um músico frustrado... Seja mais rigoroso com o que vc faz e com o que escreve...

Marcelo Brandão - Vitória - ES