terça-feira, 27 de julho de 2010

MOSKA: “SÓ SEI SER PARCEIRO DE AMIGOS”

O cantor e compositor MOSKA está lançando pela Biscoito Fino o álbum duplo Muito Pouco. O músico, que também apresenta o programa Zoombido no Canal Brasil, fala ao ACORDES sobre esse novo trabalho. Confira:

MOSKA Toninho Spessoto - Como você avalia hoje a decisão de ter rompido com uma major e optado pelo mercado independente?
Moska
- Me tornar um artista independente foi fundamental pra minha diversificação artística, pois numa gravadora major a cobrança por resultados imediatos é muito grande (se depois de 3 meses de lançamento o disco não tiver uma venda expressiva toda a empresa já começa a abandonar o trabalho...). A vida independente me trouxe a liberdade de exercer outras práticas artísticas (como a fotografia, a TV e o rádio) e combiná-las com minha música/poesia, potencializando significativamente carreira e obra. Hoje me sinto um artista contemporâneo e não um concorrente ao primeiro lugar de vendas.

TS - Numa major um projeto como Muito Pouco seria viável?
Moska
- Provavelmente não. Eles não pareciam muito confortáveis quando eu falava de "projeto",  "conceito", "arte"...o negócio era "música que dê pra tocar no rádio e na novela"...eu acho super importante tocar no rádio e na novela, mas isso não pode ser o fator determinante numa obra de arte. E eu continuo encarando um disco como tal. Arte é vida. E vida não é somente rádio e novela. A verdade sempre vence.

TS - Sua música é cada vez mais multifacetada em termos de possibilidades melódicas e harmônicas e também no que diz respeito às letras. Isso é fruto da observação da atual cena musical? O que lhe agrada musicalmente hoje em dia?
Moska
- Nosso país produz uma música multifacetada desde antes de eu nascer. Ser brasileiro é ser variado por essência. Me sinto cada vez mais brasileiro me misturando com os múltiplos "brasis" que vou conhecendo pelo mundo. Hoje em dia escuto menos música do que quando era mais jovem. Me falta tempo, porque me meto em muitas áreas diferentes e sobram poucos momentos livres com a família, por exemplo. Mas coisa boa chega pelo ar, sem a gente procurar. Adoro o trabalho da Maria Gadú e tenho escutado muito os argentinos Kevin Johansen e Pedro Aznar e o chileno Nano Stern. Todos estão no CD Pouco, a Maria entra em Sinto Encanto, minha e da Zélia, e em Oh, My Love, My Love, do Kevin. Cantamos os três juntos. Ele está também em Waiting For The Sun To Shine, parceria nossa. O Pedro Aznar canta comigo Nuvem, do chileno Nano Stern. E canto com o Chico César uma canção que fiz com ele, Saudade.

TS - Como você avalia hoje os trabalhos com o Inimigos do Rei?
Moska
- Foram anos de pura alegria, diversão, amizade e muito trabalho. Nos conhecemos na escola de teatro e os primeiros ensaios foram na escadaria dessa escola. Tudo muito natural e orgânico. Com o sucesso dos Inimigos pude conhecer todo o Brasil e descobrir a tal multiplicidade que nos "inventou". Aprendi também o que era o "mercado da música" e pude fazer minhas opções com tranquilidade e confiança. O Inimigos foi fundamental em todos os sentidos, alegria nunca é ruim.

TS - O que mudou na cena pop dos anos 80 para cá?
Moska
- Nossa, muita coisa! O pop rock dos 80 se somou à MPB nos anos 90 e produziu uma nova MPopB, algo como um neo-tropicalismo. Ritmos nordestinos foram mais incorporados e mais celebrados desde então. A música eletrônica invadiu os estúdios de gravação, os equipamentos digitais melhoraram muito o trabalho com áudio e o casamento de música e imagem se popularizou e se tornou mais acessível. É uma mudança tão significativa que parece que estamos falando de uma outra era. Mas a canção continua a mesma, sempre vencedora.

MOSKA TS - Falando do Zoombido, pode-se dizer que os programas são um mix de prazer e aprendizado diante das experiências dos artistas interlocutores?
Moska
- Sem dúvida! O Zoombido é minha "pós-graduação" na canção! Aprendo muito com os outros compositores e me delicio com cada encontro. Escutar suas estórias, poder fotografá-los e cantar/tocar com cada um deles é um privilégio que sonhei quando ainda era um adolescente aprendendo a tocar violão. Cada canção que eu aprendia eu pensava: "Ah, um dia quero tocar com esse artista...". E no Zoombido esse sonho é realizado.

TS - Quais são seus parceiros mais frequentes hoje?
Moska
– Tenho rabalhado muito sozinho, sou guloso. Mas adoro quando a Zélia Duncan ou o Chico César me mandam uma letra. Só sei ser parceiro de amigos, às vêzes recebo um poema lindo pela internet (muita gente escreve muito bem) mas não consigo compor com alguém que eu não conheço. Acho que a parceria numa canção necessita de uma intimidade enorme, é quase um ato sexual, porque expõe demais os parceiros. E, como já dizia a divina ZD, "intimidade é fato, não dá pra fingir".

TS – E quanto à turnê de lançamento de Muito Pouco?
Moska
- A estreia foi no Teatro Municipal de Niterói. Duas noites maravilhosas, lotadas de um público vibrante e sensível. Dia 30 estarei em Curitiba e 31 em Bonito, no Mato Grosso do Sul. É um show novo, banda nova, com muitas projeções de imagens (fotos, desenhos, filmes).

MOSKA 3 TS - As canções são todas recentes?
Moska
– No show novo toco doze canções do Muito Pouco e oito antigas. Mas isso varia um pouco conforme a noite, o lugar, o público... Temos um roteiro pra teatros fechados e outro pra lugares abertos. Um é ‘muito mais Pouco’ e o outro é ‘um pouco mais Muito’.

TS - A ideia de lançar uma edição dupla e também os dois discos separados foi sua ou da Biscoito Fino?
Moska
- O projeto foi inteiramente concebido por mim, de forma independente, por minha produtora, a Casulo. A opção por fazer algo mais pesado em Muito e mais acústico em Pouco também foi minha. Produzi e apresentei tudo à Biscoito (capa, canções, arranjos) e eles entraram como parceiros na fabricação e distribuição do produto.

TS - Quando virá em CD e DVD a terceira temporada do Zoombido?
Moska
- Já estamos preparando e deve sair até o final do ano. Assim espero...

www.paulinhomoska.com.br

Um comentário:

Bruno disse...

E toda vez que bebo o programa, digo: - Ainda vou compor com esse cara.