
Encerrada a segunda edição do reality show
Ídolos, chega o momento de refletir. Na minha opinião, a vitória da paranaense
Thaeme Mariôto foi incontestável no que diz respeito à disputa com a paulista
Shirley Carvalho. O fato é simples: a campeã tem o perfil de um ídolo pop, já a segunda colocada não possui carisma, embora seja boa cantora.
Antes da final, ocorreram alguns 'acidentes de percurso' como a eliminação de Davi Lins, considerada injusta pelo público e por Thomas Roth, Cyz, Arnaldo Saccomani e Carlos Eduardo Miranda, os jurados. Thomas, meu amigo pessoal, chegou a declarar publicamente sua preferência por Davi ao ser entrevistado em 1o. de julho no
Vitrola, programa que produzo e apresento ao lado da jornalista Adriana de Rosa na
allTV.
Shirley Carvalho vinha de um problema sério na carreira. Vencedora do concurso de calouros do
Programa Raul Gil, simplesmente não ganhou o prêmio, que era a gravação de um CD. Chegou ao
Ídolos disposta a recomeçar e foi até a final. Mas faltou aquele 'algo mais'. De fato, é uma boa cantora, mas não tem nem de longe o perfil que interessa hoje ao mercado fonográfico. Vale lembrar que os vencedores do reality show co-produzido pelo SBT e Freemantle Media assinam contrato com a
major Sony BMG. Foi assim com
Leandro Lopes, vencedor da primeira edição em 2006, será assim com
Thaeme Mariôto.
Penso que o
Ídolos é um programa mais justo que, por exemplo, o
Fama, produzido durante três anos pela Globo, que confinava os candidatos numa 'academia' na qual eram treinados para se transformar em cantores prontos para o mercado. Vários artistas que passaram por aquele reality show chegaram a gravar discos, casos de Hugo & Thiago, Cídia & Dan, Wanessa Jackson, João Sabiá, Marcos Vinícius e Fábio Souza. Mas somente duas cantoras conseguiram efetivamente fazer sucesso e se projetar: as potiguares
Roberta Sá e
Marina Elali.
Roberta Sá seguiu fiel às suas origens, mantendo-se no campo da MPB. Como ela própria me disse em entrevista há duas semanas, o
Fama foi apenas um rito de passagem, pouco ou nada lhe acrescentando em termos de possibilidades profissionais.
'Seguiria pelo caminho que estou mesmo sem o programa', afirmou na ocasião.
Marina Elali (foto) efetivamente se tornou uma estrela pop, com um disco de sucesso e músicas em novelas e minisséries -
Você, de Roberto e Erasmo Carlos, na trilha de
América,
One Last Cry, releitura de uma canção gravada originalmente por Brian McKnight, em
Páginas da Vida e
Sabiá, de Luiz Gonzaga e do avô da cantora, Zé Dantas, na minissérie
Amazônia. Ela sempre quis ser uma estrela pop, estudou e se preparou para tanto. O CD de Marina chegou a Disco de Ouro. Ela agora está em estúdio preparando o segundo álbum, e já tem nova música em novela -
Eu Vou Seguir, versão de
Reach, da cubana Gloria Estefan, canção-tema dos Jogos Olímpicos de Atlanta em 1996.
Para mim, o
Ídolos permite que os cantores se mostrem como são, e se mantenham fiéis aos gêneros que decidiram abraçar, ao contrário do
Fama. Quanto ao
Popstars, outra iniciativa do SBT que gerou os finados grupos
Rouge e
Br'oz, nada a declarar. Era iniciativa com prazo de validade estabelecido. Já o programa de Raul Gil anuncia a volta do concurso
Quem Sabe Canta, Quem Não Sabe Dança, o mesmo que há alguns anos revelou cantores como
Rinaldo Viana,
Érika Rodrigues,
Robinson Monteiro,
Alexandre Arez,
Leila Moreno,
Kelly Moore,
Liriel Domiciano e
André Leono. Todos gravaram discos e conseguiram bons índices de vendagem.

No momento, somente
Robinson Monteiro (foto) e Alexandre Arez estão com novos discos, o primeiro no segmento gospel e o segundo na linha do bolero que sempre seguiu. Rinaldo Viana prepara novo disco. Leila Moreno está na banda do programa
Altas Horas e fez recentemente o seriado e o filme
Antônia. Kelly Moore canta na noite paulistana. Érika Rodrigues e Liriel Domiciano procuram gravadora. André Leono está sumido. Espero sinceramente que todos se recoloquem, pois têm talento. Considero válidas iniciativas como as de Raul Gil - desde que não ocorram injustiças como no caso citado de Shirley Carvalho, que ganhou mas não levou - e o
Ídolos. E acho que a mídia precisa parar com essa nefasta mania de discriminar valores revelados por esses concursos. Afinal, não custa lembrar que grandes nomes da música brasileira começaram em programas de calouros, casos de Elza Soares, Elis Regina e Emílio Santiago, apenas para citar alguns. Talentos existem aos montes. Tomara que todos os bons artistas consigam se projetar e se manter fiéis às suas convicções artísticas...