terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

BONDE DA BAIXARIA


Longe vão os tempos em que o funk carioca trazia letras divertidas ou que espelhassem a realidade dos moradores das periferias e/ou favelas. O século 21 trouxe para o gênero a disseminação da vulgaridade. As tchutchucas transformaram-se em preparadas, popozudas e congêneres. E os versos dos funks passaram a abordar abertamente sexo e escracho. Não estou falando aqui dos chamados 'proibidões', aqueles que apregoam a violência e fazem apologia do consumo de drogas.

A Som Livre está lançando três produtos que espelham essa triste realidade. O CD Pancadão do Caldeirão do Huck tem repertório selecionado pelo apresentador Luciano Huck e intérpretes como Gaiola das Popozudas, MC Sabãozinho, Bonde do Come-Quieto e a indefectível Tati Quebra-Barraco. Entre os temas, pérolas como Agora Tô Solteira, Pega no Tambor, Ti Taco, Ti Teco e Ti Tico (sic), Sequência do Entra e Sai. Ah, e tem, claro, MC Créu e a inacreditável Dança do Créu.


O DJ Marlboro, um dos grandes responsáveis pela popularização do funk através de discos memoráveis nos anos 80 e início dos 90, aderiu ao bonde da apelação. O CD duplo Funk Brasil - Mais Funk, produzido por ele, tem 55 faixas, entre elas A Saia Tá Levantando, Aquecimento das Meninas, Mexendo o Peitinho, Perereca Bumbum e Essa é a Minha Tara, perpetrados por figuras como Os Caçadores, Gaiola das Popozudas, As Danadinhas, MC Quebra-Tudo. O DVD Funk In Video, também produzido por Marlboro, traz clipes de funks como Dona Gigi (Os Caçadores), Menina Funkeira (MC Jota), Dança do Siri (San Danado), Substituta (Kama Sutra), Tremendo Vacilão (Perlla) e até a dupla sertaneja Léo Canhoto & Robertinho, com Chumbo Quente. Dá uma saudade de versos como 'eu só quero ser feliz/andar tranquilamente na favela onde eu nasci'...

4 comentários:

Ana Paula disse...

q pena, né Toninho....
isso já foi tão divertido... já dancei tanto...
agora dá vergonha só de ler os nomes das músicas. uma pena mesmo...
beijo!

TONINHO SPESSOTO disse...

Pois é, Aninha...

O que antes era retrato de um povo, tornou-se instrumento de disseminação da baixaria, além de objeto de faturamento fácil por parte das gravadoras.

Ou seja, acabou-se o que era doce...

Beijo, Querida!

Anônimo disse...

É impressionante!
Beijos meus,
Lu!

TONINHO SPESSOTO disse...

Lu,

Impressionante e triste. E lamentável...

Beijos!